segunda-feira, 22 de abril de 2013

Durante a união de universos... (Parte I)


Durante a união de universos...
Parte I
Bom, aquele escorredor de água do bebedouro parecia ser algo diferente para esta noite. Bobagem. O engraçado é que ele sempre tomava água no mesmo bebedouro, o mesmo de uma sequência de bebedouros lado a lado. Ele encarava toda vez que tomava água na escola. Era aula de química. Que aula mais chata, algumas pessoas conversando ali, a professora explicando o conteúdo como sempre, nada demais, nada de interessante.

- Professora, posso ir beber água? – Perguntou ele, morrendo de tédio e sem muita esperança de que a professora permita.

- Mas que coisa! Bem no meio do conteúdo! Vá, mas vá rápido! – Respondeu a professora de química, insatisfeita, após ter interrompido a explicação sobre as cadeias de carbono.

Ele saiu andando da sala, foi caminhando calmamente ao outro lado do corredor, observando as outras salas que tinham aula naquela noite. Descia as escadas e observava a parede da escola toda rabiscada, inclusive, com alguns rabiscos próprios de dois anos atrás, quando estava no Primeiro Ano. Desceu as duas escadas que dava acesso ao hall da escola, cheio de trabalhos com cores vívidas, com vários pilares sustentando em uma grande área coberta, com um outro corredor que dava acesso a duas salas, e as salas dos professores e da direção em evidência. Andou mais alguns passos, passou os bebedouros de água gelada, do qual não quis para aquela fria noite de outono, observou um pouco a lua em uma janela e foi ao seu comum bebedouro. Costumou observar o ralo de água novamente, olhava a água descer para os canos dos quais ninguém poderia ver...

Novamente, algo ali parecia sair do normal, ele via o teto da escola dando um “reflexo” em tudo, mas não se via, o que deveria ser notado por causa de seus cabelos cacheados e castanhos em evidência sob o teto amarelado da escola. Ele em um movimento estranho decidiu encostar no ralo. Erro. Ele sentiu uma forte “puxada” no braço, quase como um choque elétrico percorrendo todo o seu braço e dando uma confusão na sua mente, que deu uma piscada e logo se reestabeleceu. Terminou de beber sua água e voltava para a sala.
Fazendo seu caminho de volta, sentiu-se estranho, as escadas pareciam estar mais sujas do que ele antes vira, e alguns riscos que estava há anos na parede simplesmente desapareceram. Estranho, novamente, estranho. Fazendo seu caminho a sala, que era a ultima no corredor, logo caminhou sem notar muito o que estava a sua volta, apenas olhando e olhando para o teto, ainda sentindo um certo desconforto no braço.

Entrando na sala se depara com outro professor, desta vez, o professor de História, alto e desajeitado, ensinando a matéria normalmente como ensina, se deparou novamente com um belo ruído vindo debaixo, não ligou, simplesmente. Refletindo, não sabia que demoraria tanto assim a voltar a sala, nem mesmo ouvira o sinal tocar. Melhor ficar calado, não sobraria nada para ele, apesar de que para ele não passou ao menos dois minutos, provavelmente ele deve ter ficado enrolando no mínimo uma meia hora. Ele olhou no relógio e viu que passaram apenas cinco minutos desde que saíra da sala.

- Qual foi a da brincadeira de troca dos professores desta vez? – Falou alto para todos, interrompendo a explicação sobre a Revolução Russa, o que, ao seu ouvir estava um tanto quanto falha.

- Com licença, mas, ao que se refere – Falava o professor, confuso.

- Ué? Não estava a professora de química aqui agora há pouco? Eu desci para beber água e me deparo com o senhor dando aula, professor.

- Sim... Fui eu que lhe dei permissão. – Respondeu novamente o professor, mais confuso ainda.

- Não, foi a professora de química, e estávamos estudando cadeia de carbonos com o quadro cheio, como foi que você passou toda essa tese histórica sobre a Revolução Russa tão rapidamente?

- Há uma confusão, quem deixou você ir fui eu, de qualquer forma, não interrompa a explicação.

- Mas você está brincando não é? Todos sabemos que foi uma revolução comunista que se atendeu sobre a Rússia em 1917. E criou a URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

- Bela ideia, hahaha! Como se o comunismo desse certo em algum lugar do mundo. Não foi isso, foi uma revolução anarquista, e criou a República Livre da Rússia.

- Como você pode ensinar uma coisa tão errada? Até mesmo a bandeira da antiga Rússia era um símbolo comunista nas cores vermelha e dourado. – Respondeu o aluno, em tom de voz alto e bravo por o professor estar ensinando uma coisa tão errada ao seu ponto de vista.

- Que ideias são essas afinal? Em 1917, Doiovsky aplicou um regime anarquista na Rússia, se matando depois, este regime do qual perdura até hoje. A Rússia foi o primeiro país anarquista da história, dando origem a uma série de revoluções, principalmente em Cuba, na Coréia e no Vietnã. E a bandeira era um símbolo Anarquista preto e branco para representar sua liberdade. Não sei da onde tira ideia de que um regime comunista poderia ocorrer nos dias de hoje. – Respondeu o professor, explicando o conteúdo e também com tom de voz alterado devido a mudança de ideias.

- Mas que baboseiras! Como você pode ensinar uma coisa dessas?

- Baboseiras ouvem de sua boca! Você é um mero aluno que está aqui para estudar, se não quiser aprender sobre a revolução Russa, saia daqui, por favor! – Falou o professor extremamente irritado.

- Com todo o prazer!

Ele arruma suas coisas e sai da escola, bufando de raiva, onde nunca ouvira mais besteiras saindo da boca de um professor onde teria que ensinar as informações corretas. Vai caminhando normalmente para sua casa, onde nota também o seu portão um tanto quanto diferente desde que viu quando saiu de casa, mas não poderia notar o que era.
Entrou em sua casa, cumprimentou sua mãe e seu pai, sentou-se na TV e ligou a TV no qual estava passando o noticiário da Rede Globo.

Para sua surpresa, o repórter estava fazendo uma reportagem direto do “World Trade Center” em Nova Iorque, rapidamente sentou-se e ouviu o noticiário normal falando sobre uma tentativa de assalto a um dos cofres do edifício.

- COMO ASSIM? O World Trade Center em pé, ali, inteirinho! Ele foi destruído há anos! Foi em 2001 né? Com o avião chocando com as torres e tudo mais! – Gritou ele, surpreso com o World Trade Center totalmente restaurado e revigorado ali na TV.

- Ah, você lembra dessa época filho? Na época alguns terroristas tentaram chocar um avião com os prédios, mas foram mobilizados antes, aconteceria uma tragédia! Pois há muitas pessoas no prédio, felizmente nada aconteceu. – Respondeu sua mãe, com uma grande calma na voz.

- Não... O que está acontecendo com as pessoas ao meu redor? Mãe, as torres gêmeas foram destruídas na manhã de 11 de setembro de 2001 por Osama Bin Laden e a Al-Qaeda... Como você não se lembra disso? E mais, como elas estão completamente normais agora?! – Continuou gritando.

- Quanta besteira filho, parece desejando a tragédia dos outros, cruzes!

- Ah, era só o que me faltava! Um dizendo sobre a revolução Russa ser anarquista, outro dizendo sobre a vitalidade das torres gêmeas, e olha lá! Elas estão inteirinhas!

- Mas filho... Foi...

- OK, estou ficando maluco... Estou sim, estou! – Respondeu novamente, inquietantemente inquieto.

- Filho, sem comentários!


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Continua!

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